10 de fev de 2011

Receita altera IR sobre ações trabalhistas e atrasados do INSS

por MÁRIO SÉRGIO LIMA

A Receita Federal publicou nesta terça-feira uma instrução normativa que corrige a tributação do Imposto de Renda sobre rendimentos acumulados, que podem ser de trabalho, benefícios de previdência, aposentadoria e pensão, por exemplo.

Na prática, a pessoa que receber valores acumulados a partir de agora pagará menos imposto, já que o IR referente ao valor recebido será retido na fonte tomando como base o ano no qual o montante seria devido, e não mais no período do recebimento.

Segundo o supervisor nacional do Imposto de Renda, Joaquim Adir, o contribuinte que estava inserido na faixa de isenção do IR que venha a receber um valor referente a salários que não haviam sido pagos por um período, caso tenha de declarar esses ganhos na declaração normal, passava antes dessa regra a pagar o imposto.

"Isso acontecia porque ela somava esses ganhos acumulados, geralmente que eram depositados após processos judiciais, ao rendimento regular do ano. Assim, ele passava a outra faixa de contribuição e era sobretaxado. Agora, esses valores serão corrigidos pelo período em que deveria receber. Portanto, se ele era isento, deve permanecer isento", explicou.

Isso ocorre porque será levada em consideração a quantidade de meses sobre os quais os rendimentos são referentes. Se a pessoa receber uma quantia de R$ 20 mil, por exemplo, referente a dez meses de trabalho que não haviam sido pagos em 2009, é como se ela ganhasse R$ 2 mil por mês.

Pela tabela progressiva do IR em vigor, isso colocaria a pessoa na faixa que paga a alíquota de 7,5% de IR, segundo a regra nova. Pela regra antiga, esses R$ 20 mil se somariam aos rendimentos normais do ano, colocando a pessoa na faixa de contribuição de 27,5%.

O mesmo ocorria para quem ganhava uma ação judicial de revisão de um benefício previdenciário e ganhava os atrasados --valores que o segurado não recebeu, mas que deveriam ter sido pagos a ele e foram recuperados por meio da Justiça-- do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A regra foi determinada em uma medida provisória de julho do ano passado e agora foi posta em prática pela Receita. Assim, ela só poderá ser aplicada sobre esses rendimentos acumulados que sejam pagos em 2011, não importando sobre quais anos eles são referentes. Para os pagamentos realizados em 2010, o contribuinte terá a opção de, na declaração deste ano, escolher que eles sejam tributados pela regra nova, na fonte, ou pela antiga.

Com São Paulo.
Fonte: Folha Online - 08/02/2011

Um comentário:

  1. Coros senhores.
    No meu caso, recebi um valor de R$33000,00 e não declarei por entender justamente isso que está acima.
    Meu CPF foi para a malha fina do Receita.
    Não me enquadro dentro desse ano e sim de 2006.
    Como agir para escapar desse embrólio todo.
    A Lei é retoativa ou só vale daqui para frente?
    pode uma Lei ser promulgada e projudicar quem já foi prejudicado?

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