11 de jan de 2011

10% da renda na poupança

Publicada em 03/01/2011

por LUCIENE BRAGA

Especialistas orientam como ajustar o orçamento e apontam os melhores investimentos do ano que terá mulheres no comando

Rio - Não comprou a tevê 3D, não viajou para o exterior e não trocou de carro em 2010? Também não se livrou do empréstimo ou quitou o financiamento habitacional? Segundo especialistas, é hora de rever as estratégias na administração do dinheiro para conquistar os sonhos em 2011. O educador financeiro Reinaldo Domingos, economista e autor dos livros ‘Terapia Financeira’ e ‘O Menino do Dinheiro’, criou dicas para que a família se empenhe em um programa de reeducação financeira e ser mais feliz ao longo de 2011. No ano em que uma mulher, Dilma Rousseff, assume o comando do País, as mulheres assumem a dianteira das planilhas e investimentos familiares.

Para começar, não dá para fugir do controle por escrito de todos os gastos. “Na lista devem constar até mesmo passeios, lanchinhos e gorjetas pagas em 30 dias. Coloque em sua planilha os valores típicos de início de ano”, recomenda o especialista.

Felicidade não é gastar

É preciso incluir dívidas, parcelas de cartão, crediários e tudo o que ficar para pagar no ano que vem. “É importante ter sonhos (objetivos) e prazos para realizá-los. Que podem ser de curto, médio e longo prazos”, aconselha. “Cortar pequenos gastos pode garantir economia entre 10% e 20%. Vira poupança”, diz Domingos. Compras desnecessários e abuso do crédito devem ser revistos. “Tenha uma conversa franca com toda a família, sobre a situação financeira, debatendo e decidindo os rumos a serem tomados”, insiste. Um dos mitos que será preciso desfazer é o que gastar é sinônimo de felicidade. “Em vez de valorizar o consumo, valorize mais a troca de sentimentos”, orienta.

A operadora de televendas Luciana Celestino Senna, 29 anos, já começa o ano com um objetivo definido: “Minha filha de 4 anos fará aniversário e quero dar uma festa. Depois, minha meta é tirar a carteira de Habilitação”, sonha. Para isso, já começou a economizar. “Não usei o cartão de crédito no Natal. Pago tudo o que puder à vista. Vou continuar assim. Outra medida é parar de almoçar fora de casa, por exemplo”, cita, orgulhosa da mudança de comportamento. Enquanto isso, os estudantes Rafaela Gomes e Marlon Reder, ambos de 17, fazem exatamente o contrário. Confessaram que já estouraram o cartão de crédito comendo em shopping e acham que vão manter o hábito: “É o costume”, diz ele.

Pacto entre amigas para economizar

Luciana Senna trabalha na distribuidora de peças Estoque 10, em Nova Iguaçu, com duas colegas, Cecília Oliveira, 28, e Vanessa Mendes, 24. A empresa é predominantemente feminina, e as vendedoras mostram que estão dispostas a comandar a economia.

Vanessa quer sair do aluguel: “Tenho um carro. Pretendo vendê-lo e, com as economias que vou juntar, espero dar a entrada no financiamento”. Cecília quer reformar a casa. “Cortei Internet e fiz um acordo com o marido. Só volto para a faculdade quando ele terminar a dele”, conta.

Orientações para equilibrar o orçamento

Faça planilha com todos os gastos (por 30 dias).

- Não deixe de registrar despesas obrigatórias (IPTU, IPVA, material escolar) e outras, previsíveis, como presentes, aniversários, licenciamento do carro e viagens.

- Adicione ao item orçamento mensal parcelas de despesas que você teve no fim do ano com as festas. Aí devem constar também valores de dívidas e parcelamentos em curso.

- “Estabeleça sonhos e prazos, com detalhe de valores que terá que poupar sistematicamente para atingi-los”, recomenda o educador financeiro e professor Reinaldo Domingos.

- Pequenos gastos não contabilizados podem destinar parte de seus rendimentos — de 10% a 20% — à poupança que será o início da concretização do sonho.

- Seja o mais objetivo na hora de comprar, focando no necessário. As ofertas são muitas. Faça listas e evite ir às compras com crianças.

- Fuja rigorosamente do limite do cheque especial e da prática de pagar a parcela mínima do cartão de crédito, duas armadilhas do desequilíbrio financeiro por causa dos altos juros. Se tem mais de um cartão, quebre os que menos usar e negocie as taxas de juros da dívida. Peça para retirar o limite do cheque especial.

- Negociar é um dos segredos para ajustar a vida financeira. É bom pechinchar na hora de comprar, mas, principalmente, na hora de pagar as dívidas. No acordo, só se comprometa com parcelas que caibam em seu orçamento.

- A família toda deve se envolver e tomar consciência da situação financeira. Decisões de economia deverão ser tomadas em conunto.

- Se tiver dinheiro aplicado, não resgate na primeira dificuldade financeira. Gastar reservas transforma a pessoa de investidor em endividado. E tudo o que não cabe no sonho é endividamento.

- Gastar não é sinônimo de felicidade. É preciso que a pessoa se lembre de que estar próximo de quem se ama não tem preço. Em vez de valorizar o consumo, a pessoa deve valorizar mais a troca de sentimentos.

Quem consegue reduzir a despesa para juntar dinheiro deve fazê-lo crescer

“Quem mais tem não é quem mais ganha. É quem menos gasta. Se você receber R$ 200 mil por mês e gastar R$ 200.001 não terá nada. Vai ter déficit”, avalia o professor e advogado especialista em finanças, Luiz Felizardo Barroso. “Todos temos que ser superavitários. Seja para ganhar mais ou gastar menos”, resume ele, para quem a saúde financeira é importante para ter tranquilidade.

Ele diz que aprendeu com um dos maiores banqueiros norte-americanos que, quando era jovem e pobre, anotava no caderninho todas as suas despesas: do ônibus ao cinema. “É o executivo fundador do J.P. Morgan, banco que menos sofreu com a crise financeira ”, lembra. “É o conselho que dou. A pessoa deve anotar. Assim, no mês seguinte, evita gastar por impulso. É o primeiro passo para começar a fazer o dinheiro crescer”, diz.

Segundo ele, há diversas modalidades para aplicar o dinheiro. “Tudo o que a pessoa poupar deve aplicar. Gosto muito de consórcio, que funciona como poupança programada”, destaca. Felizardo também lembra o modelo dos clubes de investimento, que não exigem muito dinheiro. “Tenho um desses, em que aplico R$ 300 ou R$ 500 todos os meses. Sugiro que a aplicação seja sistemática: todo mês, um pouquinho”, recomenda ele, que fez um plano de previdência para todos os netos. “Quando minha netinha de um ano e nove meses tiver 21 anos, vai ganhar uma bolada. Pago R$ 100 mensais”, exemplifica o especialista.

Fonte: O Dia Online - 02/01/2011

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